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As obras mais citadas nos nossos artigos. As obras essenciais incluem uma breve apresentação: o que é o livro, a sua grande ideia e porque vale a pena lê-lo. Incluímos ligações para onde estas obras se encontram; muitas estão disponíveis gratuitamente.
O clássico de Charles Boxer, publicado pela primeira vez em 1951, conta a história do cristianismo no Japão desde a chegada de Francisco Xavier, em 1549, até à Rebelião de Shimabara, apoiado em relatórios de jesuítas portugueses e documentos de Estado, incluindo relatórios secretos da missão guardados no Museu Britânico e na Biblioteca da Ajuda, em Lisboa. A sua grande ideia é ousada: sem a ascensão e a supressão da fé, o Japão Tokugawa talvez nunca se tivesse fechado ao mundo. Continua a ser o livro por onde começar para perceber como os jesuítas lidaram com os governantes do Japão, e a espinha dorsal da lista de leituras deste sítio.
Porque falhou o cristianismo no Japão? Deus Destroyed, de George Elison (Jurgis Elisonas), publicado pela Harvard University Press em 1973, responde que a perseguição, por si só, não o explica: a fé chocou com um ethos japonês emergente da primeira modernidade, que punha a lealdade secular e a ordem social à frente da salvação no além. O livro dá a palavra aos próprios adversários, com traduções integrais de quatro textos anticristãos, incluindo obras dos apóstatas Fabian Fucan e Christovão Ferreira. Transitando com naturalidade entre a história religiosa e a história política, mostra como as disputas teológicas moldaram a política do Estado, e continua a ser um guia muito citado para as ideias por detrás da supressão e do caminho para o sakoku.
University of California Press, 1965 · Fontes primárias, antologia traduzida
Eis o Japão dos séculos XVI e XVII tal como o viram os europeus da época. Michael Cooper, S.J., reuniu excertos traduzidos de cartas de jesuítas portugueses e espanhóis e de relatórios ingleses escritos entre 1543 e 1640, e anotou-os num panorama da sociedade, da religião e da política japonesas, do quotidiano, do vestuário e dos costumes. Jesuítas, franciscanos e mercadores têm todos voz, pelo que nenhum ponto de vista se impõe. Publicada pela University of California Press em 1965, a antologia desenterrou material de fólios obscuros, verteu-o para um inglês legível e abriu-o a um público vasto; é uma porta de entrada de referência para o período Sengoku e o início do período Edo.
Esqueçam-se os grandes desígnios imperiais: na leitura de Derek Massarella, o encontro europeu com o Japão nos séculos XVI e XVII foi moldado pelo trabalho pragmático, e muitas vezes confuso, do comércio, da sobrevivência e da negociação cultural. Publicado pela Yale University Press em 1990, A World Elsewhere é o estudo de referência sobre a feitoria da Companhia Inglesa das Índias Orientais em Hirado (1613–1623), que situa no quadro mais amplo do encontro europeu, sem esquecer a rival holandesa, mais bem-sucedida. A partir dos registos da feitoria e de diários pessoais, Massarella reconstitui o tecido social do estabelecimento e dá vida às suas figuras, com as complicações privadas e as pressões comerciais que as acompanhavam. É uma visão de conjunto rica sobre o modo como europeus e japoneses faziam realmente negócio.
Uma experiência cosmopolita sem igual: assim é a Nagasáqui de The Dream of Christian Nagasaki (2016), de Reinier H. Hesselink. Abarcando os anos de 1560 a 1640, o livro acompanha a ascensão da cidade como polo comercial global onde se cruzavam a prata japonesa, a seda chinesa e o poderio marítimo ibérico, e a comunidade cristã, sustentada pelo comércio e pela estratégia jesuíta, que floresceu desde a fundação da cidade em 1571 até que a supressão pelos Tokugawa, depois de 1614, a desmantelou. Recorrendo a arquivos japoneses e ocidentais, reconstitui a vida dos convertidos, o papel das ordens religiosas e a geografia da cidade, e capta a intensidade emocional e espiritual das procissões de 1614: uma rica história social e cultural, contada a partir da experiência vivida da sua gente.
Centro de Estudos Históricos Ultramarinos, 1959 · Monografia
Seda por prata: é esta troca que move The Great Ship from Amacon, de Charles Ralph Boxer, publicado pela primeira vez em Lisboa em 1959. Acompanhando o comércio Macau-Japão entre 1555 e 1640, Boxer mostra os portugueses como intermediários entre o Japão, rico em prata, e a China, ávida de seda, com um êxito comercial indissociável da influência da missão jesuíta e do seu controlo sobre Nagasáqui. Explorando os arquivos de Lisboa e Goa, quantifica o comércio, desmonta os seus mecanismos e liga a economia à política e à religião, sem esquecer as potências europeias rivais e o colapso final do comércio. É o complemento mercantil e marítimo das histórias políticas e religiosas de Boxer, e um guia pormenorizado dos fluxos de prata e de seda entre Macau, Cantão e Nagasáqui.
Como se conquista a classe dirigente de um país? A resposta de Alessandro Valignano, como mostra J. F. Moran em The Japanese and the Jesuits (Routledge, 1993), foi a adaptação cultural: os missionários tinham de dominar a língua e os costumes japoneses. Moran assenta o livro nas cartas e tratados magistrais do próprio Valignano, incluindo escritos inéditos que ele mesmo traduziu, o que dá ao leitor uma visão direta da mentalidade missionária em ação. Brilha sobretudo nos casos difíceis, como o conflito entre o direito da Igreja e os costumes locais em matéria de casamento, e no pensamento e na estratégia por detrás da missão, e não apenas nos seus acontecimentos. É um guia essencial para as políticas de Valignano sobre a acomodação cultural e a formação do clero japonês.
O estudo de Stephen Turnbull, de 1998, abre a porta a um fenómeno religioso sem paralelo: os Kakure Kirishitan, os cristãos ocultos do Japão. Graças a uma tradição oral estrita e a uma liderança leiga, estas comunidades mantiveram viva uma forma reconhecível do catolicismo do século XVI e depois seguiram o seu próprio caminho, à margem da Igreja restaurada, até formarem uma fé distinta que mescla elementos cristãos com práticas xintoístas e budistas. Turnbull acompanha-as desde a chegada do cristianismo até aos nossos dias, aliando a história da perseguição a trabalho de campo contemporâneo em Ikitsuki e nas ilhas Gotō, e partindo dos estudos de Tagita, Kataoka e Whelan. A recompensa são raros pormenores, vistos de perto, sobre rituais, textos de oração e a vida social da fé oculta.
O que significava o cristianismo para os japoneses que o abraçaram? Christianity in Early Modern Japan (Brill, 2001), de Ikuo Higashibaba, olha para os Kirishitan de 1549 a 1639 a partir de baixo, através das crenças e práticas dos convertidos e não das instituições da Companhia de Jesus. A sua grande ideia é que os cristãos japoneses não se limitaram a adotar a doutrina católica europeia: reinterpretaram-na ativamente à luz das suas próprias sensibilidades religiosas, procurando 'benefícios deste mundo' a par da salvação no além. Leituras atentas de textos kirishitan em língua japonesa, confrontadas com os registos missionários, põem em foco essa religião vivida, o que faz deste livro um retrato renovado e esclarecedor do modo como os crentes entendiam a salvação e o ritual.
João Rodrigues não foi um simples missionário. Em Rodrigues the Interpreter (Weatherhill, 1974), Michael Cooper, S.J., acompanha o jesuíta português ao longo de cinco décadas como intérprete, diplomata e escritor no Japão e na China, figura central nas relações entre os jesuítas, os senhores da guerra japoneses e as autoridades chinesas. Recorrendo amplamente a arquivos europeus, Cooper traz à luz uma figura pouco conhecida na historiografia de língua inglesa e preenche uma lacuna de três séculos no estudo da sua vida. Rico em relatos pormenorizados de audiências diplomáticas e de atividades comerciais, o livro é um excelente guia para as missões diplomáticas jesuítas entre 1590 e 1610 e, sobretudo, para o papel de Rodrigues nas negociações com o xogunato Tokugawa.
Quando a Companhia Holandesa das Índias Orientais esbarrou no xogunato Tokugawa, foi a Companhia que teve de ceder. Em The Company and the Shogun, Adam Clulow mostra como, em confrontos sobre diplomacia, violência e soberania, a VOC foi repetidamente forçada a abdicar das suas pretensões a poderes soberanos e a reinventar-se: de súbdita de um rei fictício passou a vassala leal do xógum, e de corsária agressiva a mercadora submissa. Contestando a velha imagem dos holandeses como intermediários bem-sucedidos ou agentes puramente comerciais, o livro assenta em reconstruções arquivísticas minuciosas de litígios jurídicos concretos, como o incidente do Santo Antonio e o édito de 1621, que dão vida ao atrito entre duas lógicas jurídicas.
Kobe: Office of the “Chronicle”, 1903 · Monografia
Impresso em Kobe em 1903, o segundo volume de James Murdoch é uma ampla narrativa do primeiro século de contactos do Japão com a Europa, de 1542 a 1651, ao longo do período Sengoku e do início do período Edo. A sua grande ideia é que esse século foi uma época à parte: a chegada dos europeus, ao mesmo tempo disruptiva e transformadora, arrastou os Estados feudais japoneses para uma diplomacia e um comércio internacionais sem precedentes, até o xogunato Tokugawa optar pelo isolamento. Com a colaboração de Isoh Yamagata, Murdoch fez uma rara tentativa precoce de integrar fontes japonesas numa narrativa ocidental, e o seu relato exaustivo da chegada dos portugueses e da missão cristã continua a ser uma referência padrão para o comércio Nanban, a introdução do cristianismo e a consolidação política do xogunato Tokugawa.
Esqueça-se a epopeia da conquista heroica. A história de Sanjay Subrahmanyam, publicada pela Longman em 1993 e com segunda edição em 2012, mostra o império português na Ásia como algo mais subtil: não um Estado territorial sólido, mas uma rede frágil que vivia do controlo de pontos de estrangulamento marítimos essenciais e da cobrança de direitos de passagem, e não da posse de vastas extensões de território. Conjugando dados económicos, correspondência diplomática e narrativa política, desmonta o mito da omnipotência portuguesa e mostra quanto o Estado da Índia dependia das alianças locais e de um volátil comércio da prata. Síntese fundadora da história da Ásia na Época Moderna, é também um guia rico das relações do Estado com os mogóis, os safávidas e os otomanos.
Diz a velha narrativa que os portugueses entraram em declínio nos mares da Ásia no século XVII. O estudo de George Bryan Souza, publicado pela Cambridge University Press em 1986, conta outra história. Os comerciantes privados de Macau, os chamados 'country traders', sobreviveram à perda do monopólio do Estado da Índia e à ascensão dos rivais holandeses e ingleses não pela força das armas, mas tornando-se intermediários indispensáveis no comércio intra-asiático. Explorando os registos da VOC holandesa a par dos arquivos portugueses, Souza põe números concretos na tonelagem da navegação e nos fluxos de mercadorias e reconstitui a teia de crédito, carregamentos e agentes que mantinha Macau de pé. É também uma fonte rica de dados setecentistas sobre o valor do chá, da seda e do zinco e sobre os volumes de comércio em Batávia e Cantão.
Terá a Europa apenas agido sobre a Ásia, ou terá a Ásia ajudado a fazer a Europa? Este estudo em vários volumes dá razão à segunda hipótese. Em The Century of Discovery (1965) e A Century of Advance (1993), este último escrito com Edwin J. Van Kley, Donald F. Lach mostra que a expansão europeia na Ásia nunca foi uma via de sentido único: as culturas, religiões e economias asiáticas moldaram ativamente o pensamento, as instituições e até a autoperceção da Europa. Assentes numa compilação exaustiva de fontes primárias, os volumes mostram com rico pormenor como as ideias asiáticas entraram na consciência europeia, através de regiões e disciplinas. Síntese fundadora que quis corrigir o viés eurocêntrico da historiografia tradicional, é uma visão de conjunto do encontro da Europa da Época Moderna com a Ásia.
Foi o Japão Tokugawa realmente um país fechado? O estudo de Ronald P. Toby, publicado pela Princeton University Press em 1984 e reeditado pela Stanford University Press em 1991, responde com um não categórico. Longe de se refugiar num isolamento passivo (sakoku), o bakufu construiu ativamente uma nova ordem mundial centrada no Japão, que reforçava a sua legitimidade interna e mantinha as relações externas sob controlo. Lendo registos da corte coreana a par da correspondência diplomática japonesa, Toby reconstitui a diplomacia ativa do xogunato e a sua recolha de informações, com estudos de caso pormenorizados sobre a forma como acompanhou a transição Ming-Qing. Obra revisionista fundadora, é o livro a que recorrer sempre que a velha narrativa do 'isolamento' pede para ser questionada.
Uma visão, depois uma traição: é esse o arco da história dos jesuítas no Japão e na China escrita por Andrew C. Ross em 1994. Sintetizando a investigação ocidental e japonesa, acompanha dois séculos de missão, desde os primeiros esforços de Francisco Xavier até à Controvérsia dos Ritos. No centro está a estratégia de acomodação de Alessandro Valignano e Matteo Ricci, uma visão não imperial, distante do modelo ibérico do 'conquistador', que conseguiu enraizar localmente o cristianismo até ser desfeita pela rigidez de Roma e pela política dos monarcas Bourbon. Ross contesta a ideia de um fracasso total no Japão e lê a Rebelião de Shimabara como sinal de quão fundo a fé tinha penetrado. Leitura convincente, é especialmente boa para comparar as missões do Japão e da China.
É a Ásia portuguesa contada através das suas gentes. Em vez de ver esta história apenas pelo prisma do zelo missionário ou da busca do lucro, o livro de Charles Boxer, de 1948, acompanha os próprios fidalgos: as personalidades, os administradores e os soldados que se moveram nas complexas paisagens políticas e culturais da Ásia Oriental, com Macau no centro de uma rede que ligava Goa, a China e o Japão. Tecido com mestria a partir de fontes em diversas línguas e contado num estilo vivo, centrado nas personagens, que lhes dá vida, foi uma obra fundadora no seu tempo, contestando um mundo anglo-saxónico que descurava as fontes portuguesas e via a Ásia colonial com olhos holandeses ou britânicos. É leitura indispensável sobre a sociedade e a política de Macau e sobre o funcionamento do comércio das carracas portuguesas.
4 vols. Jesuit Historical Institute, 1973–1982 · Monografia
Quatro volumes, uma vida. Georg Schurhammer, historiador jesuíta com acesso aos arquivos da Companhia de Jesus, acompanha Francisco Xavier desde o nascimento, em 1506, até à morte ao largo da costa da China, em 1552, produzindo a biografia académica de referência, aquela pela qual se aferem os relatos posteriores. Publicada primeiro em alemão como Franz Xaver: sein Leben und seine Zeit e traduzida por M. Joseph Costelloe, transforma cartas, diários e crónicas coevas numa narrativa minuciosamente pormenorizada e cronologicamente precisa, que liga a formação espiritual de Xavier à turbulência de Navarra e à efervescência intelectual da Universidade de Paris e situa a sua carreira no quadro das convulsões da Europa e da Ásia portuguesa. Para a missão do Japão, veja-se o volume IV, Japan and China, 1549–1552.
Seria Oda Nobunaga o tirano cruel da visão corrente? Jeroen P. Lamers acha que não. A sua biografia política, publicada em 2000, apresenta o senhor da guerra como um guerreiro pragmático, decidido, não ideológico e extremamente ambicioso, que se descreve melhor como 'pragmatic and ruthless' (pragmático e implacável) do que como 'callous and brutal' (insensível e brutal). Conclui também que o xogunato Muromachi sob o último xógum, Ashikaga Yoshiaki, era mais vital e politicamente relevante, mesmo em vésperas do seu fim, do que habitualmente se pensa. Escrita para dar aos leitores de língua inglesa uma vida de Nobunaga de referência, segue a sua carreira numa ordem cronológica rigorosa, desde os primeiros anos em Owari até à morte, em 1582, com base tanto em registos jesuítas portugueses como em crónicas japonesas.
Senhor feudal ou soberano absoluto? A biografia de Toyotomi Hideyoshi escrita por Mary Elizabeth Berry, publicada pela Harvard University Press em 1982, mostra que nenhum dos dois rótulos europeus serve. Acompanhando a sua ascensão, desde as origens camponesas até à unificação do Japão, revela um arranjo político singular: uma espécie de «federação» em que o centro garantia a paz nacional, governava as cidades e conduzia a política externa, enquanto os daimyō mantinham as suas terras, os seus exércitos e a administração local. Longe de ser uma mera aberração de transição, o governo de Hideyoshi surge como coerente e bem-sucedido, e a articulação de história institucional e história social que Berry propõe explica a estabilidade da unificação. É uma leitura compensadora sobre o governo Toyotomi e a passagem do período Sengoku ao Japão da Idade Moderna.
Em 1633, o jesuíta português Christovão Ferreira apostatou no Japão, e relatos posteriores afirmaram que se retratou e morreu mártir. Seria verdade? Neste artigo de 1974 para a Monumenta Nipponica, Hubert Cieslik propõe-se apurá-lo, separando o mito literário do facto documental no que respeita a uma das figuras religiosas mais controversas do Japão. O prazer está no trabalho de detetive: registos da feitoria holandesa, registos dos templos japoneses e cartas europeias são confrontados uns com os outros até a data exata da morte de Ferreira ficar determinada. Estudo fundamental, é essencial para seguir o percurso do próprio Ferreira e a cronologia das primeiras perseguições anticristãs do período Tokugawa.
Quase três séculos de história japonesa desenrolam-se na ampla narrativa de George Sansom, de 1961: da queda do xogunato Kamakura e da Restauração Kemmu de 1334, passando pelo período Ashikaga e pelas guerras civis Sengoku, até à queda do castelo de Osaka, em 1615, e aos primeiros anos do poder Tokugawa. A grande ideia: uma longa era de guerra civil e de lutas entre fações, impulsionada pelas contradições do sistema feudal, terminou na unificação do país pela força das armas. Apoiado num vasto conjunto de estudos japoneses e ocidentais, Sansom entrelaça as campanhas com a vida social e económica, e o seu retrato pormenorizado da guerra e da classe guerreira torna fácil acompanhar a política da época. Uma história fundamental do Japão medieval em língua inglesa.
Quatro séculos de expansão portuguesa, da conquista de Ceuta, em 1415, ao reconhecimento da independência do Brasil, em 1825, cabem neste panorama de 1969 de C. R. Boxer, uma das maiores autoridades em história portuguesa, escrito para o grande público na coleção «History of Human Society». Do Magrebe às Molucas e ao Brasil, o livro coloca duas grandes perguntas: como foi Portugal pioneiro da expansão ultramarina da Europa e construiu o primeiro império colonial moderno, um império marítimo, e como conseguiu conservar uma parte tão grande do seu «shoestring empire» (um império de parcos recursos) quando entraram em cena potências mais fortes. Assente numa extensa investigação arquivística, torna claras para o leitor não especialista interações diplomáticas e económicas complexas, e continua a ser uma síntese fundamental da cronologia, da administração e do alcance global do império.
2 vols. Translated by John J. Coyne. St. Louis: Institute of Jesuit Sources, 1980–1985 · Monografia traduzida
O plano de Alessandro Valignano para a missão jesuíta no Japão é o tema deste estudo de Josef Franz Schütte, traduzido do alemão por John J. Coyne em dois volumes. Acompanha Valignano desde a sua nomeação como Visitador, em 1573, até à sua primeira partida do Japão, em 1582, em dois atos: «The Problem» (1573–1580) e «The Solution» (1580–1582). A grande ideia: Valignano triunfou graças a uma estratégia radical de inculturação, que adaptava os métodos missionários às normas sociais e culturais japonesas em vez de impor modelos europeus. Assente num trabalho rigoroso em arquivos da Europa e do Japão, incluindo cartas e relatórios anuais, reconstitui a sua visão estratégica e é um guia precioso para as suas relações com daimyō cristãos como Arima Harunobu e Ōmura Sumitada.
Em 1623, a florescente missão cristã de Edo chegou ao fim, e o artigo de Hubert Cieslik publicado em 1954 na Monumenta Nipponica conta como e porquê. Entrelaçando cartas ânuas dos missionários, crónicas japonesas e registos holandeses, acompanha o Grande Martírio desde as causas, passando pelo desenrolar, até às consequências, com pormenores valiosos sobre as condições das prisões e a topografia do local de execução. Na sua leitura, o martírio pôs fim definitivo à missão de Edo e assinalou o início da política sistemática do xogunato Tokugawa para extirpar o cristianismo sob o xogum Iemitsu. É a leitura natural para conhecer a história do P. Girolamo de Angelis e a viragem política sob Iemitsu.
Um capítulo longamente esquecido da história vem à luz neste estudo de 594 páginas de Lúcio de Sousa, publicado pela Brill em 2019 na coleção Studies in Global Slavery: o tráfico português de escravos japoneses, chineses e coreanos. Onde narrativas anteriores minimizavam a escravatura no Japão, ou o papel ativo que nela tiveram os portugueses e os jesuítas, Sousa revela um sistema complexo e multiétnico, entrelaçado com a missão jesuíta e a economia colonial ibérica. Explorando registos jesuítas, documentos coloniais portugueses e éditos japoneses, reconstitui a vida de pessoas escravizadas tantas vezes ausentes das histórias tradicionais, através de estudos de caso como o de Jerónimo Iyo, e traça os agentes e as rotas do tráfico por Macau e Manila. Uma obra fundamental que preenche uma verdadeira lacuna.
Uma porta de entrada convidativa para o século de contacto, este volume ilustrado de 1971, organizado por Michael Cooper, S.J., com contributos de Arimichi Ebisawa, Fernando G. Gutiérrez e Diego Pacheco, percorre os contactos europeus com o Japão entre 1543 e 1640. Narrativa, pranchas de arte nanban e excertos de cartas de missionários surgem lado a lado, tornando fácil de seguir uma história complexa. A grande ideia: foi um século decisivo, em que os missionários europeus deixaram registos singularmente pormenorizados da sociedade japonesa, da vida quotidiana às personalidades políticas, que preenchem lacunas das próprias fontes japonesas. Fazendo a ponte entre a investigação especializada e o grande público, é um panorama fundamental dos estudos nanban, e a sua rica documentação visual da arte nanban é um prazer por si só.
2 vols. Cambridge University Press, 2009 · Monografia
Dois volumes, uma só história: a obra de Anthony R. Disney, publicada pela Cambridge University Press em 2009, acompanha Portugal propriamente dito da pré-história até 1807 e depois o império ultramarino, desde as suas origens, no início do século XV, até à transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1807–1808. A grande ideia: o império não foi um Estado monolítico, mas uma manta de retalhos dispersa e frouxamente controlada de estabelecimentos formais e informais, onde a adaptação local e o hibridismo pesavam muitas vezes mais do que o controlo central. Integrando os estudos posteriores a 1974 e dando à história social o devido lugar a par da política e da economia, Disney olha muito para além do Estado da Índia, para os estabelecimentos informais e o Brasil colonial, e faz de um império fragmentado uma narrativa coerente.
No Japão do século XVI, os templos budistas podiam pôr exércitos em campo e detinham poder económico e político próprio; o estudo de Neil McMullin de 1984, publicado pela Princeton University Press, mostra como o Estado lhes retirou essa independência. Contra a tese de Tsuji Zennosuke de uma «restauração» do budismo sob Hideyoshi, McMullin demonstra que uma mesma política estatal atravessou os regimes de Nobunaga, Hideyoshi e Ieyasu, erradicando sistematicamente a independência militar, económica e política dos templos. Estudos de caso eloquentes, da destruição do Negoroji à reconstrução do Honganji, mostram a utilidade política das instituições religiosas para quem detinha o poder. Um guia rigoroso e compensador para a supressão dos exércitos dos templos e a redefinição da autoridade religiosa.
2 vols. Hakluyt Society, 1883 · Fonte primária, edição crítica
Dia após dia, entre 1615 e 1622, Richard Cocks, feitor-mor (cape-merchant) da feitoria inglesa no Japão, registou como era realmente comerciar ali. Editado por Edward Maunde Thompson para a Hakluyt Society em 1883, com correspondência e um prefácio, o seu diário é o principal relato quotidiano da presença inglesa, repleto de cargas, câmbios de moeda e tratos com os funcionários locais. Completa a narrativa anterior de Purchas com pormenores minuciosos sobre o comércio e a diplomacia, e permite acompanhar a empresa da Companhia Inglesa das Índias Orientais em Hirado até ao seu colapso, apertada pelos rivais holandeses, que vendiam mais barato, por uma má localização estratégica e pelas autoridades japonesas, que lhe restringiram os privilégios. Um registo sem retoques e essencial das primeiras relações anglo-japonesas.
Seria o Japão medieval uma sociedade esclavagista? Pelos padrões ocidentais, sim, responde o artigo de Thomas Nelson publicado em 2004 na Monumenta Nipponica, que mostra como o sistema funcionava. Confrontando os relatos portugueses e jesuítas com fontes jurídicas e literárias do próprio Japão, Nelson revela um mundo complexo de servidão: vendas voluntárias em tempo de fome, escravização como castigo de crimes ou por dívidas, e um importante comércio de exportação para mercadores portugueses. Exemplos jurídicos concretos, como os documentos mibiki, põem a nu os mecanismos da escravização. Onde a historiografia moderna tendia a minimizar o tema, Nelson estabelece a escravatura como um traço reconhecido e institucionalizado da ordem social medieval, e a sua comparação entre o modo como os comerciantes ibéricos descreviam a escravatura japonesa e o modo como as autoridades japonesas a regulavam é particularmente esclarecedora.
Nordic Institute of Asian Studies Press, 2002 · Monografia
Quando os portugueses desembarcaram em Tanegashima, em 1543, defende Olof G. Lidin, a história japonesa atravessou uma fronteira comparável à anterior introdução da civilização chinesa, porque a sua chegada desencadeou a rápida adoção e a produção em massa de armas de fogo que transformaram a guerra do período Sengoku. O seu estudo, publicado pelo Nordic Institute of Asian Studies em 2002, brilha pelo rigor filológico: oferece traduções integrais e comentário crítico das fontes japonesas fundamentais, o Teppō ki e o Tanegashima kafu, muitas vezes inacessíveis ou mal compreendidas pelos estudiosos ocidentais, e cruza os registos portugueses, chineses e japoneses para desfazer os mitos sobre a origem do mosquete «Tanegashima». Um guia compensador para o desembarque de 1543 e a difusão inicial das armas de fogo no Japão.
Microscópios, telescópios e lanternas mágicas chegaram ao Japão do final do período Edo, e Timon Screech segue-os através da própria cultura visual japonesa: estampas ukiyo-e, pinturas sobre vidro e os livros do rangaku. A sua grande ideia é que estes instrumentos óticos e imagens científicas ocidentais transformaram o modo como os japoneses viam e faziam arte, criando um novo "olhar científico" que conviveu com a estética tradicional e a transformou. Screech entrelaça imagens e textos com um cuidado meticuloso, ligando textos médicos a estampas populares numa narrativa coerente de mudança cultural. Publicada pela primeira vez em 1996 com o título The Western Scientific Gaze and Popular Imagery in Later Edo Japan, é uma obra fundamental sobre o modo como a ciência ocidental foi representada no Japão do período Edo.
A biografia de Tokugawa Ieyasu que Conrad Totman publicou em 1983 acompanha-o desde a juventude até à fundação do xogunato, passando pelas manobras políticas, campanhas militares e reformas administrativas pelo caminho. A ideia central é que o génio de Ieyasu residia na capacidade de esperar e de se adaptar, uma paciência pragmática que o distingue da impulsividade agressiva de Oda Nobunaga e de Toyotomi Hideyoshi. Escrita para um público geral de língua inglesa, é clara e acessível, contrapõe com nitidez os três grandes unificadores e desfaz a complexa teia política da época. Melhor ainda, humaniza Ieyasu, dos hábitos pessoais à vida familiar e às realidades práticas do seu retiro.
Terceiro e último volume da história do Japão de George Sansom, publicado em 1963, este livro acompanha o período Tokugawa de 1615 a 1867: como governava o xogunato, como funcionava a economia interna e como a política isolacionista acabou por ruir. Sansom defende que o xogunato construiu uma ordem estável graças a um sofisticado sistema de pesos e contrapesos, transformando um país devastado pela guerra num Estado próspero e bem governado durante dois séculos e meio. Síntese fundamental do período Edo, explica com grande clareza a máquina política Tokugawa, os mecanismos da economia do arroz e a logística do transporte marítimo, fundindo pormenores administrativos complexos numa narrativa de leitura agradável.
2 vols. Institutum Historicum Societatis Iesu, 1990–1995 · Fonte primária, edição crítica
Eis, em dois volumes, os documentos dos primeiros tempos da missão jesuíta no Japão, de 1547 a 1562: a série completa de textos sobre a comunidade cristã japonesa desses anos, editada por Juan G. Ruiz-de-Medina e publicada em espanhol pelo Instituto Histórico de la Compañía de Jesús (1990 e 1995), na série Monumenta Historica Societatis Iesu. Em vez de se apoiar em edições impressas mais antigas, regressa diretamente aos manuscritos originais, com transcrições corrigidas e notas que desvendam termos arcaicos e abreviaturas. Partindo do quadro bibliográfico traçado pela Introductio de Josef F. Schütte, é a edição de referência para estes anos e o lugar certo para os documentos em torno de Francisco de Xavier e de Gaspar Barzeo.
O discurso anticristão teve uma longa vida no Japão, e Kiri Paramore acompanha-o desde as proibições Tokugawa do início do século XVII até ao final do século XIX, quando foi posto ao serviço da construção da ideologia do Estado japonês moderno. A sua tese, ousada, é que esse discurso nunca foi apenas uma reação religiosa, mas um alicerce da ideologia política japonesa moderna, numa leitura revisionista que atravessa a habitual fronteira entre a história religiosa do início da época moderna e a política moderna. Um rigoroso trabalho de arquivo em manuscritos e textos em vernáculo revela estudiosos japoneses a lidar com os textos cristãos de forma matizada e muitas vezes racional, desfazendo a ideia de uma ignorância total. Uma leitura compensadora sobre o modo como a retórica anticristã ajudou a moldar a identidade nacional japonesa.
Terá o Japão estado realmente fechado ao mundo entre 1640 e 1853? A resposta de Grant K. Goodman é não: foi um tempo de contacto comercial e intelectual com os holandeses, limitado mas significativo. Traçando as relações nipo-holandesas desde o primeiro contacto, em 1600, ao longo do período Edo, o livro coloca no centro o Rangaku, os estudos holandeses, e acompanha-o desde as origens entre os intérpretes de Nagasáqui até à sua expansão em Edo e nos diversos domínios, com base em fontes japonesas variadas. Publicado pela primeira vez em 1967 como The Dutch Impact on Japan (1640–1853), revisto em 1986 como Japan: The Dutch Experience e reeditado com o título atual em 2000, é uma obra fundamental sobre os estudos holandeses no Japão.
University of Hawai'i Press, 1996 · Fonte primária traduzida
O único texto sagrado conservado composto pelos cristãos ocultos do Japão, os Kakure Kirishitan, é o Tenchi Hajimari no Koto, uma narrativa do período Edo que funde doutrina católica e folclore japonês. O livro de Christal Whelan, de 1996, oferece a sua primeira tradução inglesa integral, com introdução, notas extensas e uma análise antropológica que trata o texto não como heresia ou deturpação, mas como um exemplo sofisticado de aculturação religiosa. O trabalho de campo imersivo da tradutora junto das comunidades das ilhas Goto dá um contexto essencial para a sua linguagem e teologia híbridas. Vale a pena lê-lo pelo próprio texto e como janela para a teologia, o ritual e a história oral dos Kakure Kirishitan.
De 1565 a 1815, os galeões espanhóis atravessaram o Pacífico entre Manila e Acapulco, e William Lytle Schurz conta a sua história numa narrativa cativante. A grande ideia do livro é que esta foi a artéria central do império espanhol do Pacífico: uma rota perigosa, dispendiosa em vidas humanas, que fez circular artigos de luxo asiáticos e prata americana, impulsionou a exploração da Califórnia, fez das Filipinas uma possessão espanhola e integrou o Pacífico na economia mundial. Assente em investigação no Archivo General de Indias, em Sevilha, e publicado pela primeira vez em 1939, reconstitui de forma vívida os perigos, as rotas e as viagens concretas do comércio, e estabeleceu a narrativa de referência, na historiografia de língua inglesa, sobre a importância dos galeões.
Quem mantinha, afinal, o comércio Namban em funcionamento? Mihoko Oka mostra que foi mais do que um monopólio sancionado pelo Estado: sustentavam-no mercadores privados, empreendimentos comerciais jesuítas e uma vasta rede de crédito, incluindo a prata confiada por financiadores japoneses (kotozutegin). Com base em fontes de arquivo portuguesas, espanholas e japonesas, entre elas documentos japoneses e macaenses pouco explorados, reconstitui ao pormenor a engrenagem financeira do comércio, do kotozutegin aos contratos de respondência, e mostra a interdependência entre agentes portugueses, japoneses e chineses. Versão inglesa do seu livro japonês de 2010, Shōnin to senkyōshi: Nanban bōeki no sekai, publicada pela Brill em 2021, é a obra a ler para perceber como o crédito e a prata ligaram Macau ao Japão.
Os samurais definiam-se por mais do que a proeza marcial, defende Stephen Turnbull: viviam mergulhados numa paisagem religiosa complexa e sincrética, onde interagiam o xintoísmo, o budismo e, mais tarde, o cristianismo. O seu livro de 2006, escrito para o público em geral e para os entusiastas de história militar, percorre a relação dos guerreiros com o xintoísmo, o budismo da Terra Pura e o Zen, o confucionismo, a religião popular e o cristianismo, e acompanha o tema até ao militarismo moderno e aos kamikaze. O seu encanto está no episódio bem escolhido, como o ritual de Matsuura Shigenobu antes da invasão da Coreia, usado para iluminar grandes temas culturais. Uma porta de entrada acessível e cativante para o entrelaçar da guerra e da fé no Japão.
O livro de Malyn Newitt, de 2005, percorre por ordem cronológica a expansão ultramarina portuguesa de 1400 a 1668. A sua grande ideia é que a expansão foi um empreendimento complexo e em constante evolução, que passou de instituições da Alta Idade Média para uma rede comercial global, sustentada não apenas pelo poder régio, mas também por iniciativas privadas resilientes e pelo esforço missionário.
Da chegada dos portugueses, em 1543, ao fim do período Tokugawa, o livro de Neil S. Fujita, de 1991, acompanha a missão católica no Japão. Explica tanto o êxito inicial da missão como o seu fracasso final pelo choque entre o exclusivismo rígido da teologia cristã e a natureza sincrética e pragmática da cultura e da política japonesas.
Engelbert Kaempfer esteve em Dejima em 1690–92, e o seu relato sobre o Japão foi publicado pela primeira vez em inglês em 1727, com o título The History of Japan. Esta tradução moderna de Beatrice M. Bodart-Bailey, que também a editou e anotou, regressa ao manuscrito original alemão, restitui a voz original de Kaempfer e corrige as distorções das edições inglesas anteriores.
Terá o império português na Ásia sido realmente um monopólio régio? O estudo de James C. Boyajian, de 1993, responde que não e defende com vigor que foi o comércio privado, sobretudo o dos cristãos-novos, que dominou as trocas e sustentou o império durante o período dos Habsburgos. Inverte a imagem habitual e põe os mercadores, e não a coroa, no centro da história.
Um modesto piloto inglês que se torna samurai: é esta a história que Giles Milton conta em Samurai William, a sua obra de divulgação histórica de 2002 sobre William Adams. Milton mostra como Adams conquistou a confiança de Tokugawa Ieyasu, fez a ponte entre duas culturas distantes e assegurou uma base para o comércio inglês no Japão. Escrita para o grande público, é uma porta de entrada cativante para toda esta aventura.
O quarto volume de The Cambridge History of Japan, organizado por John W. Hall com James L. McClain como editor-assistente, reúne especialistas ocidentais e japoneses numa ampla síntese do Japão do início da Idade Moderna. O objetivo é oferecer aos leitores de língua inglesa um registo completo do período, assente na investigação dos dois mundos académicos. Para ter a visão de conjunto num só volume, é a obra de referência natural.
A vida de Oda Nobunaga e a sua ascensão ao poder, tal como as registou o seu contemporâneo Ōta Gyūichi. O Shinchō Kōki é a principal crónica de Nobunaga escrita no seu próprio tempo, e esta tradução inglesa anotada de J.S.A. Elisonas e J.P. Lamers, publicada em 2011, abre-a aos leitores que não leem japonês. É a oportunidade de conhecer Nobunaga pelos olhos do seu próprio cronista.
A edição crítica em dois volumes de Anthony Farrington reúne o registo documental completo da feitoria da Companhia Inglesa das Índias Orientais em Hirado, de 1613 a 1623. Farrington explica também porque falhou a feitoria: a Companhia esperava demasiado do mercado japonês, as cargas de Londres chegavam raramente e em grande parte não se vendiam, e o almejado comércio com a China nunca se abriu. Documentos e diagnóstico juntos fazem dela a obra a consultar sobre os ingleses no Japão.
O Japão, a China e a Coreia como uma só história: neste capítulo de The Cambridge History of Japan, volume 4, Jurgis Elisonas (George Elison) acompanha a tensão entre o sistema tributário sinocêntrico e as tentativas, em evolução, do Japão de afirmar a sua autonomia. O desfecho é a criação, pelos Tokugawa, de uma ordem própria, centrada no Japão. Uma visão panorâmica das relações internacionais da região num único capítulo.
Alessandro Valignano por inteiro, como homem, missionário e escritor: este artigo de 2003 na Renaissance Studies, do investigador jesuíta M. Antoni J. Üçerler, apresenta uma figura central e muito discutida, cuja inovadora política de acomodação cultural transformou a missão jesuíta no Japão e desafiou o europeísmo enraizado dos seus contemporâneos. Uma introdução compacta e compensadora ao homem por detrás da viragem da missão.
Nagasaki: College of the Society of Jesus, 1604–1608 · Fonte primária, impresso antigo
Sobre esta obra
Uma gramática da língua japonesa escrita em português pelo missionário jesuíta João Rodrigues (Tçuzzu), impressa no colégio jesuíta de Nagasáqui entre 1604 e 1608. A sua convicção é simples: para evangelizar o Japão com eficácia, a Companhia de Jesus tinha primeiro de compreender a língua através de regras claras e sistemáticas. Uma janela fascinante sobre a forma como os missionários se lançaram à aprendizagem do japonês.
O livro de Jonathan Clements, de 2016, conta a Rebelião de Shimabara de 1637–1638 como uma narrativa empolgante para o grande público. A sua Shimabara é mais do que a cruzada de um 'doomsday cult' (culto apocalíptico): é uma revolta movida pela perseguição religiosa, pela carga fiscal excessiva e pela fome, que o xogunato Tokugawa apresentou como ameaça religiosa para justificar uma repressão brutal. Uma porta de entrada viva para a rebelião e para quem nela se viu envolvido.
Escrito em espanhol e publicado pela universidade nacional do México, a UNAM, em 1972, o estudo de Lothar Knauth acompanha o Japão e o Império Espanhol de um lado ao outro do Pacífico, de 1542 a 1639. Em vez de uma simples narrativa de descoberta ou de conversão, encontra um confronto complexo e muitas vezes trágico, movido por ambições geopolíticas e ideologias religiosas em choque. Uma visão panorâmica do longo encontro do Japão com o mundo hispânico.
Latin trans. Duarte de Sande. Macao, 1590 · Fonte primária, impresso antigo
Sobre esta obra
Concebido e organizado por Alessandro Valignano, vertido para latim por Duarte de Sande e impresso em Macau em 1590, este diálogo reconta a viagem da Embaixada Tenshō a Roma. Construído a partir dos diários da viagem e das observações sobre as cortes, as cidades e os costumes europeus, foi um livro escolar para os seminários e colégios jesuítas do Japão, destinado a mostrar aos estudantes a magnificência e a autoridade da Europa católica. A Imprensa da Universidade de Coimbra publicou em 2009 uma edição moderna do texto latino com tradução portuguesa.
Early Modern Japan (1993), de Conrad Totman, abarca três séculos, de 1568 a 1868, e organiza-os em torno de um paradoxo marcante: um crescimento extraordinário, seguido de um século e meio de estagnação, à medida que a expansão social e económica esbarrava nos constrangimentos do sistema e do meio ambiente. A atenção à ecologia dá a uma história conhecida um ângulo novo e esclarecedor.
Publicada pela primeira vez em Barcelona em 1601, a história franciscana do P. Marcelo de Ribadeneira percorre as missões nas Filipinas, na China, no Sudeste Asiático e no Japão. A sua convicção é que os franciscanos, em particular os frades descalços, foram escolhidos por Deus para evangelizar o Oriente e lançaram os alicerces da fé através da virtude heroica e do martírio. É a história dos frades contada pela sua própria voz; uma edição moderna anotada saiu em Madrid em 1947.
Para lá da imagem familiar dos jesuítas na China como emissários culturais, diz Liam Matthew Brockey, eles foram antes de mais missionários. O seu estudo de 2007 mostra-os a traduzir o catolicismo romano para o quadro cultural chinês, a moldar os convertidos em comunidades de catolicismo barroco e, por fim, a reivindicar cerca de 200 000 convertidos. Um relato absorvente de como a missão da China funcionava na prática.
Como seria o Japão do período medieval tardio visto a partir do mar? O estudo de Peter D. Shapinsky, de 2014, troca a habitual perspetiva centrada em terra pela dos próprios homens do mar, tantas vezes descartados como piratas. O resultado é uma nova compreensão do período, com os senhores do mar do título no centro da história.
A tese de doutoramento de João Paulo Oliveira e Costa, apresentada em 1998 à Universidade Nova de Lisboa, ilumina o episcopado de D. Luís Cerqueira (1598–1614), uma fase crucial, e muitas vezes esquecida, da história do cristianismo japonês. Acompanha a transição de um monopólio dominado pelos jesuítas para uma luta complexa, que envolveu os franciscanos, a coroa espanhola e o nascente Estado Tokugawa. Um guia aprofundado para um capítulo agitado.
O historiador militar Stephen Turnbull dá vida à invasão japonesa da Coreia nesta história ilustrada de 2002. Conta a guerra de 1592–1598 como uma catástrofe nascida da ambição de Toyotomi Hideyoshi de conquistar a China Ming, na qual a resistência coreana e a intervenção chinesa acabaram por derrotar os exércitos samurais. Clara e bem ilustrada, é uma porta de entrada acessível para todo o conflito.
Breve, ilustrado e rico em pormenores, o título de 96 páginas de Anthony J. Bryant na série Campaign da Osprey (n.º 40, 1995) guia o leitor pela Batalha de Sekigahara. Bryant apresenta-a como o culminar decisivo da luta pelo poder que se seguiu à morte de Toyotomi Hideyoshi, ganha por Tokugawa Ieyasu tanto por manobras estratégicas e pela traição decisiva de Kobayakawa Hideaki como pela força militar. Um guia prático da batalha que assegurou o domínio de Ieyasu.
O estudo de Birgit Tremml-Werner, de 2015, faz de Manila um centro singular onde agentes espanhóis, chineses e japoneses teceram um complexo triângulo de relações externas, uma história que não cabe na narrativa simplista da expansão europeia. Ao pôr os três lados no mesmo palco, oferece um olhar revelador sobre uma cidade onde três mundos se encontraram.
Os registos diários mantidos pela Companhia Holandesa das Índias Orientais em Deshima formam um arquivo imenso, e esta série de Leiden (Intercontinenta, 13 volumes, 1986–2010) torna-o acessível ao publicar em inglês os índices originais escritos nas suas margens. Os volumes organizados por Cynthia Viallé e Leonard Blussé cobrem 1641–1650, 1650–1660 e 1660–1670. Uma chave prática para os registos holandeses sobre o Japão.
O artigo de Timon Screech na Japan Review, de 2012, revela um protagonista inesperado na viragem do Japão contra o catolicismo: a Companhia Inglesa das Índias Orientais. Através de Richard Cocks e William Adams, defende, os ingleses desempenharam um papel decisivo, e até agora negligenciado, em virar o xogunato Tokugawa contra a fé católica. Um ângulo novo e ousado sobre os primeiros anos do período Edo e o destino do cristianismo no Japão.
Como mudaram os cristãos escondidos do Japão ao longo de mais de dois séculos na clandestinidade? O artigo de Peter Nosco de 2007 no Japanese Journal of Religious Studies acompanha-os desde uma religião proscrita, praticada em segredo, passando pelo lento abrandamento da aplicação da proibição, até aos Kakure Kirishitan, que só nos tempos modernos adquiriram os traços de uma sociedade secreta. Um guia conciso e ponderado de todo o percurso.
Em 1585, Luís Fróis pôs a Europa e o Japão lado a lado, costume contra costume, num tratado que os editores apresentam como a primeira descrição europeia sistemática do Japão. Esta edição crítica inglesa de 2014, traduzida, editada e anotada por Richard K. Danford, Robin D. Gill e Daniel T. Reff, com uma introdução crítica de Reff, torna esses contrastes surpreendentes um prazer de explorar.
Engelbert Kaempfer foi médico da feitoria da Companhia Holandesa das Índias Orientais em Nagasáqui (Deshima) em 1690–92 e viajou duas vezes a Edo, e este relato assenta no que viu com os próprios olhos. A tradução inglesa de J. G. Scheuchzer, publicada em Londres em 1727 e reimpressa em Glasgow em 1906, oferece um retrato etnográfico e histórico abrangente do Japão, e ainda do Sião.
Publicada pela primeira vez em Londres em 1937 e reimpressa desde então, nomeadamente pela Tuttle e pela Routledge, a biografia de A. L. Sadler apresenta Tokugawa Ieyasu como o arquiteto indispensável do Japão moderno. Mostra como a adaptabilidade pragmática e a paciência estratégica lhe permitiram unificar um país fraturado e fundar um xogunato estável que perdurou durante séculos. Uma biografia clássica do homem por detrás da ordem Tokugawa.
A missão jesuíta no Japão nunca foi apenas um empreendimento espiritual, mostra M. Antoni J. Üçerler neste estudo de 2022. Esteve ligada a debates sobre religião, direito e 'razão de Estado', enquanto os missionários procuravam 'reinventar' o cristianismo para o Japão dos samurais, até aos 'casos de consciência' adaptados aos dilemas dos cristãos japoneses. Entre as suas preciosidades: deviam os missionários aconselhar os senhores cristãos em matéria de guerra, e deviam manter uma fortaleza de refúgio?
Neste capítulo de The Cambridge History of Japan, volume 4, traduzido por James L. McClain, Wakita Osamu defende que as transformações sociais e económicas do final do século XVI foram uma rutura decisiva, e não uma continuação. Na sua leitura, a unificação criou um tipo de sociedade distinto e traçou a verdadeira fronteira entre o Japão medieval e o do início da época moderna. Uma leitura clara e de conjunto sobre o que a unificação mudou.
O sistema de residência alternada (sankin kōtai) foi mais do que um mecanismo do xogunato para controlar os daimyō, defende Constantine Nomikos Vaporis neste estudo de 2008. Foi uma força cultural transformadora, que remodelou a identidade, a vida quotidiana e as interações sociais dos samurais enquanto cumpriam os seus turnos de serviço em Edo. Um olhar vivo sobre uma instituição e a cultura que ela moldou.
Haruko Nawata Ward põe as mulheres no centro do Século Cristão do Japão. O seu estudo de 2009 mostra-as não como recetoras passivas da fé, mas como agentes centrais e ativas na implantação do cristianismo no Japão entre 1549 e 1650, e na sua persistência. Um estudo esclarecedor sobre as mulheres que lideraram e sustentaram a fé.