O comércio Nanban foi o primeiro comércio duradouro do Japão com a Europa. De 1543 a 1639, os navios portugueses — sobretudo a «nau grande» anual, a Nau do Trato vinda de Macau — levavam ao Japão seda crua e ouro chineses e regressavam com prata japonesa, com lucros que financiavam tanto o império asiático de Portugal como a missão jesuíta.
O intercâmbio assentava numa peculiaridade da política do Leste Asiático: a China Ming tinha proibido o comércio direto com o Japão, pelo que os portugueses, estabelecidos em Macau a partir da década de 1550, se tornaram intermediários indispensáveis entre as duas maiores economias da região.
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Nanban (南蛮) significa «bárbaros do sul». O termo vinha do uso chinês para os povos a sul da China, e os japoneses aplicaram-no aos portugueses e espanhóis porque os seus navios chegavam do sul, por Macau e pelas Filipinas.
O que começou como rótulo depreciativo tornou-se simplesmente descritivo: nanban-jin para as pessoas, nanban-sen para os navios, nanban byōbu para os biombos pintados que os retratavam, nanban bōeki para o próprio comércio.
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Começou num dia documentado: náufragos portugueses a bordo de um junco chinês desembarcaram em Tanegashima no outono de 1543. Terminou por decreto: o édito de 1639 baniu os navios portugueses do Japão, e a execução da embaixada de Macau em 1640 selou-o.
O século intermédio divide-se convencionalmente em cinco eras — cada uma liga à sua própria página com todos os artigos do período:
| Era | Anos | O que aconteceu |
|---|---|---|
| Primeiro Contacto | 1543–1568 | Tanegashima, o arcabuz, a missão de Xavier, o comércio seda-por-prata ganha forma |
| Azuchi–Momoyama | 1568–1600 | O patrocínio de Nobunaga, a ascensão de Nagasáqui, o auge da missão, os primeiros éditos de Hideyoshi |
| Tokugawa Inicial | 1600–1614 | A abertura pragmática de Ieyasu, os rivais holandeses e ingleses, a expulsão de 1614 |
| Perseguição | 1614–1635 | A igreja clandestina, os martírios, o comércio sob controlo crescente |
| Sakoku | 1635–1650 | Dejima, Shimabara, a expulsão de 1639, o monopólio holandês |
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Seda por prata, acima de tudo: a seda crua e os tecidos chineses fluíam para o Japão, e a prata japonesa — de minas que fizeram do Japão um dos grandes produtores mundiais — regressava por Macau à economia chinesa.
Em torno desse núcleo moviam-se armas de fogo e salitre, ouro chinês, porcelana e laca, relógios, vinho e lãs europeias — e, na página mais sombria do livro-razão, um tráfico de escravos japoneses que a coroa e a Igreja tentaram repetidamente travar, sem êxito.
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Do lado europeu: Francisco Xavier, que abriu a missão em 1549; Alessandro Valignano, que a reorganizou; o intérprete João Rodrigues. Do lado japonês: Oda Nobunaga, o grande patrono da missão; Toyotomi Hideyoshi, que primeiro se virou contra ela; os xóguns Tokugawa que lhe puseram fim; e os daimiós cristãos de Kyushu que ancoravam o comércio.
Artigo completo: Francisco Xavier e a Missão Jesuíta no Japão
Comércio e missão chegaram nos mesmos navios e nunca puderam separar-se por completo — esse enredo é o drama central do período. Os jesuítas financiavam a missão com uma parte do comércio da seda; os daimiós que queriam a nau aceitavam os padres; e quando o xogunato concluiu que o cristianismo era uma ameaça política, o comércio tornou-se refém da fé.
O cristianismo japonês cresceu até talvez 300 000 crentes no seu auge, antes de a perseguição o empurrar para a clandestinidade.
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Passo a passo, por decreto: a expulsão dos missionários em 1614; os éditos do sakoku de 1633–1636; a ilha de Dejima, construída em 1636 para confinar os portugueses; a Rebelião de Shimabara de 1637–38; a proibição dos navios portugueses em 1639; e a execução de sessenta e um membros da embaixada de Macau em 1640. Os holandeses, que mantinham a religião fora do seu comércio, herdaram um monopólio reduzido em Dejima a partir de 1641.
Para os éditos do país fechado um a um — o que dizia cada um, e como o isolamento terminou dois séculos depois — ver o guia do sakoku.
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Um legado permanente, dos dois lados. No Japão: armas de fogo que mudaram a sua guerra; empréstimos linguísticos como pan, tempura e botan; os biombos nanban; o bolo castella; e as comunidades cristãs ocultas que ressurgiram dois séculos depois. Na Europa: o primeiro conhecimento substancial do Japão — gramáticas, dicionários, histórias e as cartas jesuítas que alimentaram um século de fascínio.
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