The Truth and Fiction of Xavier’s 1551 Meeting: As the Starting Point of Discovering Conceptual Similarities between Mahavairocana and the Prime Matter

Kanazawa, Osamu (2026). “The Truth and Fiction of Xavier’s 1551 Meeting: As the Starting Point of Discovering Conceptual Similarities between Mahavairocana and the Prime Matter”, Journal of the Research Institute for Christian Culture, Seisen University 34, pp. 1–24.

DOI: doi.org/10.24743/0002000374 (abre num novo separador)

A nossa apreciação Este artigo de revista de 2026 defende que o encontro de Yamaguchi de 1551 terá provavelmente desencadeado uma comparação teológica posterior entre Mahavairocana e a Matéria-Prima, em vez de ter produzido ele próprio a equivalência.

Este artigo pergunta se o célebre encontro de 1551 em Yamaguchi entre o missionário jesuíta Francisco Xavier, o daimyō Ōuchi Yoshitaka e monges Shingon foi o momento em que se identificou uma semelhança entre a divindade budista Mahavairocana e o conceito filosófico ocidental de Matéria-Prima. Aceita a rejeição académica da narrativa tradicional segundo a qual esta equivalência teológica teria sido enunciada explicitamente nessa ocasião, sugerindo antes que o encontro serviu de «gatilho» sensorial para uma compreensão que só se cristalizou nos registos jesuítas anos mais tarde.

O autor concorda que a anedota concreta da Historia de Japam de Luís Fróis, que situa em 1551 a equiparação de «Dainichi» (Mahavairocana) à «Materia Prima», é provavelmente uma revisão posterior, talvez redigida por volta de 1591. O trabalho afirma que Xavier e os seus companheiros não tinham, em 1551, o conhecimento pormenorizado do budismo necessário para formular uma afirmação teológica tão precisa, e assinala a sua ausência das cartas de Xavier de 1552 e do Sumario de los errores de 1556, atribuído com reservas a Baltasar Gago. Em vez disso, o autor propõe que o encontro foi um acontecimento histórico decisivo, em que a cultura visual e material dos missionários desencadeou a comparação inicial.

As provas assentam numa leitura atenta das fontes primárias, entre as quais as Cartas Completas de São Francisco Xavier e a Historia de Japam de Fróis. O autor trata a afirmação de que a semelhança foi apontada em 1551 como um provável acrescento posterior, citando a investigação secundária de Kawasaki e Matsuda, que identificaram anacronismos no texto original. Em contrapartida, o trabalho aceita que Ōuchi Yoshitaka pediu a Xavier que envergasse uma veste cerimonial de damasco e comentou que o padre parecia uma «imagem viva de um dos nossos deuses». Afirma também que Xavier levou presentes que incluíam um relógio, uma arma de fogo de três canos, um espelho, damasco e vidro de cristal.

O artigo traça a genealogia dos dois conceitos para mostrar os seus paralelos estruturais. Afirma que o conceito ocidental de Materia Prima teve origem no Timeu de Platão, foi interpretado por Plotino como a privação do Bem e foi incorporado na teologia cristã por Agostinho. De modo semelhante, afirma que o conceito budista de Mahavairocana como entidade que tudo abarca e desprovida de atributos deriva das primeiras doutrinas da originação dependente e do conceito Mahayana de vacuidade (sunyata), mais tarde sistematizado por figuras como Nāgārjuna. O autor infere que as cores vivas dos paramentos de Xavier e dos seus presentes podem ter suscitado nos seus anfitriões japoneses a imagem da «Terra Pura do Ocidente» e do Buda Amitābha dourado, criando um contexto em que se tornou possível uma comparação entre «forma» e «cor».

Este trabalho liga-se diretamente ao período Nanban pelo seu foco nos missionários jesuítas e na cultura material que introduziram. Destaca o papel do tradutor japonês de Xavier, Anjirō, segundo o juízo do historiador Georg Schurhammer. A análise recorre aos registos de jesuítas como Luís Fróis, o Irmão Lourenço, Luís de Almeida e Baltasar Gago. Examina em particular de que modo os bens trazidos por Xavier — objetos como o damasco e o vidro de cristal — podem ter funcionado não só como presentes diplomáticos, mas também como catalisadores do diálogo religioso. O autor sugere que a reação positiva e a hospitalidade dos monges Shingon em 1551 assentaram provavelmente numa coerência doutrinal que julgaram reconhecer quanto a estes atributos visuais, mesmo que a equiparação concreta à «Materia Prima» ainda não tivesse sido formulada.

O artigo abrange o período que vai da chegada de Xavier, em 1549, à formulação da equivalência em cartas entre 1560 e 1562, deixando explicitamente de lado uma exposição pormenorizada das diferenças entre o budismo primitivo e o budismo Mahayana. É sobretudo útil para os leitores interessados no modo como os missionários jesuítas chegaram a compreender o budismo japonês e nas provas históricas concretas relativas ao encontro de Yamaguchi. Ao separar a conclusão teológica posterior do acontecimento histórico imediato, o trabalho oferece uma imagem mais clara de como a compreensão intercultural se desenvolveu ao longo do tempo, e não num único momento.

Trata-se de um artigo de revista, publicado em 2026 no Journal of the Research Institute for Christian Culture, Seisen University, com 24 páginas. Escrito em japonês, é acessível a quem saiba ler a língua ou recorra a ferramentas de tradução. Não pretende ser uma prova definitiva do desfecho do encontro, mas antes uma reconstrução provável das condições sensoriais e intelectuais que tornaram possível a descoberta posterior.

Ler o texto integral gratuitamente ↗ (abre num novo separador)

Artigos relacionados no Nanban.pt

Recenseado pela redação de Nanban.pt a 2026-10-07.

← Todas as recensões