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O Período Nanban: Portugal e o Japão, 1543–1647

Em resumo O período Nanban («bárbaros do sul») é o século de contacto entre o Japão e Portugal, desde a chegada acidental dos portugueses a Tanegashima em 1543 até à derradeira embaixada portuguesa de 1647. Foi impulsionado por dois motores entrelaçados — o comércio de seda por prata e a missão jesuíta — e terminou quando o xogunato Tokugawa, vendo no cristianismo uma ameaça ao seu poder, expulsou os portugueses em 1639 e selou o país.

O que foi o período Nanban?

O período Nanban foi o encontro de cerca de um século entre o Japão e Portugal que decorreu de 1543 a 1647 — o intervalo que os japoneses recordam através da palavra nanban, «bárbaros do sul», o nome que davam aos europeus chegados por mar vindos do sul.

Abre-se com a primeira chegada dos portugueses em 1543 e encerra-se com a última embaixada que Portugal tentou enviar, em 1647. Entretanto, o Japão atravessou a sua violenta unificação sob Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu, ao mesmo tempo que navios, armas, mercadorias e a fé cristã europeus entravam pelos portos de Kyūshū — até o xogunato selar o país através dos éditos do sakoku. O período é definido pelo encontro de dois mundos que nunca antes haviam estado em contacto, e pelas duas forças que o impeliram: o comércio e a religião.

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Quando chegaram os portugueses ao Japão pela primeira vez?

Os primeiros portugueses alcançaram o Japão a 23 de setembro de 1543, aportando ao Cabo Kadokura, na ilha de Tanegashima, ao largo do extremo sul de Kyūshū.

Não chegaram em navio próprio. Os três homens — António da Mota, Francisco Zeimoto e António Peixoto — seguiam como passageiros a bordo de um junco de comércio chinês rumo a Ningbo quando uma tempestade o desviou da rota e o lançou na costa japonesa. Sem língua comum, o primeiro contacto foi mediado pelo capitão chinês do junco, o mercador-pirata Wang Zhi, que conversou com um habitante local traçando caracteres chineses na areia.

Alguns cronistas antigos dataram o acontecimento de 1542, mas o registo japonês Teppōki («Crónica do Mosquete») fixa-o em 1543. A posterior gabarolice do escritor Fernão Mendes Pinto, de que teria estado entre os primeiros a chegar, é geralmente descartada pelos historiadores como invenção.

Como mudaram o Japão as armas que os portugueses trouxeram?

Os náufragos traziam arcabuzes de mecha europeus — uma tecnologia que o Japão nunca vira — e, no espaço de uma geração, estas armas transformaram o modo como se travavam as guerras civis do país.

O jovem senhor da ilha, Tanegashima Tokitaka, comprou as armas a grande custo e encarregou os seus espadeiros de as copiar por engenharia inversa. A produção alastrou tão depressa pelas províncias assoladas pela guerra que, por todo o Japão, as armas de fogo ficaram conhecidas como tanegashima, em referência à ilha onde primeiro haviam desembarcado. Produzida em massa e rapidamente adotada pelos senhores da guerra, a espingarda remodelou as táticas de campo de batalha durante a era Sengoku e tornou objetos de intenso valor estratégico as mercadorias técnicas que os europeus transportavam — sobretudo o chumbo e o salitre para a pólvora.

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Ao que vieram os portugueses ao Japão — comércio ou religião?

A ambos — e, no século Nanban, os dois eram inseparáveis: os portugueses vinham lucrar com o comércio de seda e prata, os jesuítas vinham ganhar almas, e cada um dependia do outro.

O comércio e a missão chegaram juntos e juntos viajaram. Os mercadores portugueses dependiam dos jesuítas como intérpretes e intermediários, ao passo que os missionários dependiam dos navios dos mercadores para a passagem e do engodo do comércio para abrir portas que a fé, sozinha, não conseguia. Muitos daimyō toleravam — ou abraçavam — o cristianismo nos seus domínios sobretudo para atrair a «Grande Nau» portuguesa e a riqueza que ela transportava. A religião e o comércio eram, com efeito, duas faces da mesma chegada, razão pela qual a repressão de uma acabou por condenar o outro.

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O que foi o comércio Nanban?

Foi uma arbitragem imensamente lucrativa: os portugueses compravam seda chinesa a baixo preço em Macau, vendiam-na no Japão por prata e levavam essa prata de volta para a China — o lucro de uma única viagem podia ultrapassar os 100%.

O comércio explorava uma brecha política. Após as pilhagens costeiras dos wakō, a China Ming tinha proibido o comércio direto com o Japão — mas o Japão produzia talvez um terço da prata do mundo, a China, ávida de prata, cobiçava-a, e o Japão cobiçava a seda chinesa, de qualidade superior. A partir da sua base em Macau (assegurada em 1557), os portugueses insinuaram-se nessa brecha como intermediários indispensáveis. O intercâmbio era feito pela nau do trato anual, ou «Grande Nau» (o kurofune, «Navio Negro»), uma colossal carraca cuja chegada a Nagasáqui era tratada quase como um prodígio e que ficou imortalizada nos biombos nanban byōbu. A par da seda e da prata circulavam armas de fogo, chumbo, salitre e luxos exóticos — e, na página mais sombria, um tráfico de japoneses escravizados.

Guia completo: O Comércio Nanban — o comércio em oito perguntas

Como chegou o cristianismo ao Japão, e até onde se espalhou?

A missão jesuíta abriu-se com a chegada de Francisco Xavier em 1549 e cresceu, ao longo de sessenta anos, até formar uma igreja de talvez 300 000 cristãos japoneses no seu auge, por volta de 1614.

Xavier ficou fascinado pelos japoneses — chamou-lhes «os melhores que até agora se descobriram» — mas a missão inicial debateu-se com a barreira da língua. O ponto de viragem chegou com o Visitador Alessandro Valignano, que, a partir de 1579, impôs uma política de acomodação cultural: os missionários deviam aprender japonês, observar a etiqueta local e conquistar respeito segundo os termos japoneses. Os jesuítas seguiram uma estratégia deliberadamente «de cima para baixo», convertendo os daimyō na certeza de que ao batismo de um senhor se seguiria a conversão em massa dos seus súbditos. Como os padres europeus nunca passaram de cerca de 140, a missão apoiou-se em catequistas e irmãos japoneses, em seminários e numa imprensa introduzida em 1590. No seu auge, os Kirishitan representavam uns estimados 1,5 a 2% da população do Japão.

Artigo completo: Número de Convertidos Cristãos no Japão, 1549–1700

Quem foram os daimyō cristãos?

Vários senhores de destaque — os Kirishitan daimyō — converteram-se e arrastaram consigo domínios inteiros, redesenhando o mapa religioso de Kyūshū e do Kansai.

Os mais influentes entre eles fizeram de Kyūshū o coração do cristianismo japonês:

Porque importavam tanto o comércio Nanban e a missão cristã aos senhores da guerra do Japão?

Porque, no meio de uma guerra civil, o comércio Nanban oferecia a um senhor da guerra exatamente aquilo de que mais precisava — armas modernas e uma riqueza imensa — e o acesso a ele podia comprar-se simplesmente tolerando os padres.

Durante o Sengoku Jidai, o Japão estava fragmentado por um conflito sem fim, e a chegada da Grande Nau era uma questão tanto de sobrevivência como de ambição. Os portugueses forneciam armas de fogo, chumbo e salitre que o Japão não conseguia produzir em quantidade suficiente, e o comércio de prata e seda gerava fortunas que financiavam exércitos e os grandes castelos da época. Os daimyō de Kyūshū disputavam ferozmente atrair a nau aos seus próprios portos — e, uma vez que os mercadores se moviam na companhia dos jesuítas, proteger a missão tornou-se um modo de assegurar o comércio. À medida que o país se reunificava, os seus governantes perceberam que quem controlasse o comércio Nanban controlaria o destino económico do Japão, razão pela qual Hideyoshi se apoderou de Nagasáqui e pela qual os Tokugawa vigiavam o comércio com tanto zelo.

Quando e porque se voltou o Japão contra os portugueses?

O Japão voltou-se contra eles por etapas, entre 1587 e 1639, movido acima de tudo pelo receio de que o cristianismo fosse a vanguarda da conquista europeia — e pela descoberta de que os holandeses protestantes podiam fornecer as mesmas mercadorias sem os padres.

A inversão chegou numa cascata de medidas cada vez mais duras:

Os motivos foram constantes ao longo de todo o processo: o cristianismo era visto como uma lealdade subversiva devida a um Deus e a um Papa estrangeiros; a fé ameaçava a autoridade do xogum e a ordem tradicional; e, uma vez que os holandeses ofereciam seda e prata sem qualquer interesse em converter, o Japão já não precisava dos portugueses de todo.

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O que deixou para trás o período Nanban?

Embora a missão tenha sido esmagada e os portugueses expulsos, o século Nanban deixou marcas profundas no Japão — nas suas guerras, na sua língua, nas suas cozinhas e na sua arte — e fixou os termos do isolamento que se lhe seguiu.

A espingarda refez a guerra japonesa. O encontro deixou uma marca duradoura na língua, em palavras portuguesas ainda hoje de uso diário, e à mesa, em pratos como a tempura e o pão-de-ló castella, que descendem da cozinha ibérica. Os biombos nanban byōbu preservaram a imagem dos navios negros e das suas tripulações exóticas para os séculos vindouros. E o fim violento do período moldou o que se lhe seguiu: com os portugueses idos e o cristianismo empurrado para a clandestinidade, os Tokugawa confinaram os holandeses à minúscula ilha de Dejima, em Nagasáqui, mantendo uma única e estreita janela sobre o Ocidente que permaneceria, durante mais de duzentos anos, a principal ligação do Japão à Europa.

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