The Life and Afterlife of Hizen Nagoya Castle
Braddick, Kizaki (2026). “The Life and Afterlife of Hizen Nagoya Castle”, Transactions of the Royal Historical Society.
DOI: doi.org/10.1017/S0080440125100546 (abre num novo separador)
Este artigo pergunta de que modo o castelo de Hizen Nagoya, uma base de partida fundamental da invasão da Coreia por Toyotomi Hideyoshi, sobreviveu física e culturalmente depois do fim da guerra. Contesta o pressuposto de que o local desapareceu depressa e defende, pelo contrário, que o seu legado é mais profundo e mais amplo do que se pensava. O trabalho trata o castelo não apenas como uma base militar, mas como um povoado dinâmico e efémero que serviu de capital temporária, de palco diplomático e de fonte de materiais de construção para obras futuras.
Braddick sustenta que Hizen Nagoya era um híbrido militar e civil, onde mais de 200 000 residentes viviam lado a lado com mais de 150 acampamentos de daimyō num raio de 3 km. Entre 150 000 e 160 000 homens atravessaram dali para a Coreia em 1592, e outros 100 000 ficaram de reserva. A construção começou provavelmente na segunda metade de 1591, embora telhas com inscrições datadas de 1590 sugiram que os trabalhos preparatórios começaram mais cedo ou que se usaram materiais reaproveitados. O local funcionou como um caldeirão cultural; o jesuíta português Luís Fróis registou o rápido aparecimento de lojas e estalagens, e um biombo pintado da época mostra uma animada cena de rua em que figura um homem ibérico. Apesar da proibição do cristianismo decretada por Hideyoshi, jesuítas e outros missionários visitavam o local com frequência, e o castelo recebeu representantes do Governador-Geral das Filipinas em 1592 e 1593.
O artigo acompanha o desmantelamento físico do castelo através dos vestígios arqueológicos e dos registos históricos. Defende que a desmontagem das muralhas de pedra foi metódica e provavelmente não aconteceu logo a seguir ao abandono. Pelo contrário, os arqueólogos detetaram pedras de alicerce e indícios de que se usou barro, com cuidado, para aterrar os escombros. Terazawa Hirotaka, que ao que parece ficou encarregado do castelo, mandou construir o castelo de Karatsu com materiais reaproveitados de Hizen Nagoya, incluindo madeira e possivelmente ferramentas e muralhas de pedra. Braddick considera razoável supor que o xogunato Tokugawa voltou a «inutilizar» o local em 1615, ao abrigo da ordem «um castelo por província», e de novo em 1638, na sequência da Rebelião de Shimabara.
Os registos diplomáticos coreanos fornecem provas cruciais da mudança do estado do local. Os enviados coreanos que vieram tratar da repatriação de prisioneiros pararam em Hizen Nagoya no 20.º dia do sexto mês de 1607. Um membro da delegação registou que, embora a povoação tivesse sido próspera, restavam apenas algumas casas. Em 1643, a Embaixada de Comunicação coreana visitou Nagoya, onde foi recebida por centenas de pessoas e informada da existência de uma «aldeia coreana» de cerca de 100 casas, onde antigos prisioneiros faziam louça de barro. Estes diários confirmam a transição do local de acampamento militar para lugar de povoamento e de memória.
O trabalho liga estas camadas históricas aos esforços de reconciliação dos nossos dias. Em 1812, o cartógrafo Inō Tadataka confirmou a existência de um posto de vigia em funcionamento e mencionou os restos de muralhas de pedra. Antes disso, em 1778, uma peça de kabuki usou o castelo como cenário, o que mostra um interesse popular persistente. O artigo destaca a criação, em 1993, do Museu do Castelo de Nagoya da Prefeitura de Saga, que reimagina o local como um espaço de comunicação cultural entre o Japão e a Coreia, e não como um monumento à guerra.
Este artigo de revista é indicado para leitores interessados na forma como os locais de guerra são reconvertidos ao serviço da paz e no papel específico dos enviados coreanos na história japonesa. Combina fontes primárias, incluindo diários diplomáticos coreanos e registos japoneses, com descobertas arqueológicas para acompanhar o estado físico das ruínas. O trabalho deixa de lado uma reconstituição pormenorizada do estado físico completo do castelo em cada momento, reconhecendo lacunas nos registos quanto à cronologia exata das fases de demolição. É um artigo de 23 páginas, escrito em inglês, que pode ser lido gratuitamente.
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