Bartmann Jugs in Japan: Finds and Imitations in the 17th–19th Century

Onitsuka, Mei (2026). “Bartmann Jugs in Japan: Finds and Imitations in the 17th–19th Century”, Research Bulletin of Seinan Gakuin University Museum 14, pp. 53–68.

A nossa apreciação Este artigo defende que os jarros Bartmann circularam como utensílios quotidianos para lá de Dejima e que imitações japonesas posteriores podem ter sido tomadas por relíquias cristãs.

Este artigo pergunta de que modo os jarros Bartmann — recipientes de grés da Renânia com um rosto masculino barbudo, conhecidos no Japão como hige tokkuri — circularam na sociedade japonesa do início da Idade Moderna para lá dos recintos restritos das feitorias holandesas. Procura cartografar a sua distribuição pelos sítios arqueológicos do Japão e distinguir entre as importações originais e as imitações japonesas posteriores. O trabalho trata estes objetos não apenas como curiosidades exóticas, mas como testemunhos materiais da vida quotidiana e da adaptação cultural no período do encontro entre holandeses e japoneses.

A autora defende que estes jarros provavelmente não foram importados como mercadorias comerciais, mas serviam de utensílios quotidianos ao pessoal da feitoria holandesa e passaram para lá dos limites de Dejima. Embora se afirme que a maior parte dos exemplares existentes no Japão são produtos de Frechen do início do século XVII, o estudo alarga a área geográfica conhecida destes artefatos. Ultrapassa o foco tradicional em Hirado, Dejima e Kōyasan e inclui novos dados de escavações em Osaka e Sakai. O artigo sugere que os fragmentos encontrados em Nagasáqui, concretamente nos sítios de Manzai-machi e Kōzen-machi, indicam que anciãos e funcionários da cidade possuíam estes recipientes. Considera-se muito provável que os jarros tenham circulado também em Edo, embora aí ainda não se tenha registado nenhum exemplar escavado, dada a presença na cidade de outros artefatos ocidentais, como garrafas de vinho e cachimbos de barro.

Os indícios assentam num reexame sistemático de relatórios de escavação e de coleções de museus, cruzado com os estudos tipológicos europeus de Sebastiaan Ostkamp e Wil Snip e de Christoph Keller. A autora identifica fragmentos concretos, como um do sítio de Kawachi, em Hirado, como estando entre os mais antigos conhecidos no Japão, datando da primeira metade do século XVII. Os fragmentos do sítio da feitoria holandesa de Dejima são analisados quanto à data de produção; os que têm cobalto aplicado na zona dos olhos datam provavelmente de 1610–1640. O estudo examina também as imitações japonesas e observa que um furidashi (recipiente para doces) atribuído ao oleiro de Quioto Aoki Mokubei foi provavelmente produzido depois do período de atividade do mestre, a julgar pelas discrepâncias na marca do forno. Do mesmo modo, dois jarros Bartmann guardados no Museu Nacional de Tóquio com a marca «Sanyō» são considerados reproduções fiéis de jarros de Frechen do século XVII, provavelmente usados como garrafas de saqué e não como utensílios da cerimónia do chá.

A ligação ao comércio holandês é central nas conclusões do artigo. Os jarros chegaram ao Japão através da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), transportados a partir dos Países Baixos depois de terem sido enviados dos seus centros de produção na Renânia. O trabalho põe em evidência o modo como estes objetos passaram a ser vistos como «objetos Nanban» no Japão moderno. É plausível que, durante a moda cristã-Nanban dos tempos modernos, o rosto barbudo do jarro tenha sido erradamente identificado como Jesus Cristo, o que os levou a circular como relíquias cristãs. O artigo assinala que o Museu de Relíquias Cristãs do Eikokuji, em Nagoya, que expõe materiais relacionados com o comércio Nanban, guarda um jarro que é provavelmente uma imitação de fabrico japonês do período que vai do Taishō ao início do Shōwa. As imitações refletem uma tendência mais ampla, em que as formas ocidentais foram adaptadas e reinterpretadas em contextos culturais japoneses, incluindo a produção, em Quioto, de «Kyō-Aranda» para imitar a faiança holandesa.

O trabalho abrange fragmentos escavados em Hirado, Dejima, Nagasáqui, Osaka, Sakai e Kōyasan, a par de uma análise pormenorizada das imitações do final do período Edo à época moderna. Deixa de lado uma investigação abrangente do uso secundário dos jarros e das fontes documentais que poderiam confirmar o seu uso na cerimónia do chá, observando que essa investigação exige estudos futuros. O artigo é particularmente útil para leitores interessados na presença arqueológica concreta, em Osaka e Sakai, das peças ocidentais trazidas pelos holandeses, bem como para quem procura compreender como as formas ocidentais foram adaptadas no Japão do final do período Edo e da época moderna. Oferece uma visão matizada da passagem do objeto utilitário importado à imitação japonesa e ao mito.

Trata-se de um artigo de revista, publicado em 2026 no Research Bulletin of Seinan Gakuin University Museum, com 16 páginas. Escrito em japonês, sintetiza dados primários de escavação e investigação europeia secundária para atualizar o registo histórico destes recipientes singulares.

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Recenseado pela redação de Nanban.pt a 2026-10-06.

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