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The Lifting of the Sea Ban by the Southern Ming Hongguang Regime and the Chinese Junk Trade in Nagasaki

Liu, Mingkai (2026). “The Lifting of the Sea Ban by the Southern Ming Hongguang Regime and the Chinese Junk Trade in Nagasaki”, Tōyō Gakuhō 107:4, pp. 33–63.

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DOI: doi.org/10.24739/0002000877

A nossa apreciação Este artigo de 31 páginas liga a desesperada crise fiscal de 1644 do regime Hongguang, dos Ming do Sul, a uma mudança política concreta que legalizou o comércio com o Japão e ajudou a impulsionar um aumento verificável das chegadas a Nagasáqui.

A maior parte das histórias trata a breve existência dos Ming do Sul como um interlúdio caótico de colapso militar, em que a política comercial era irrelevante ou uma mera nota de rodapé na rápida desagregação da dinastia. Esta leitura ignora a maquinaria administrativa concreta que o regime Hongguang montou no seu último ano para financiar o exército, e trata o aumento do comércio com o Japão como uma reação espontânea ao caos e não como uma política de Estado calculada.

Este artigo desmonta esse pressuposto ao traçar uma linha direta entre um défice orçamental de 1,5 milhões de taéis e um decreto concreto de outubro de 1644. O autor defende que o regime, perante uma derrota militar iminente, não se limitou a aliviar os controlos: legalizou ativamente o comércio com o Japão para gerar receita imediata através do «Imposto do Oceano». Cruzando registos de processos chineses com os diários da feitoria holandesa, o estudo demonstra que o regime nomeou funcionários concretos, como Sun Yuande e Liu Anxing, para cobrar direitos de 200 a 300 taéis em portos como Chongming e Taicang. Não se tratou de um vago relaxamento das regras, mas de um regime fiscal estruturado segundo o modelo da alfândega de Linqing, pensado para transformar os navios mercantes numa fonte de receita fiável para um Estado em colapso.

A prova desta mudança política assenta numa triangulação rigorosa de fontes que até aqui tinham sido lidas isoladamente. O autor recorre aos Casos de Jia e Yi de Wen Bing e ao Guoque de Tan Qian para reconstituir a cadeia administrativa, e a um registo de interrogatório Qing para mostrar como mercadores como Qiao Fuchu obtinham «licenças fiscais» do Grande Eunuco Sun Yuande e «salvo-condutos» de comandantes regionais como Wang Zhiren. Estes registos chineses são depois confrontados com o Diário do Chefe da Feitoria Holandesa em Nagasáqui, que regista expressamente, em março de 1645, que as viagens para o Japão eram permitidas mediante o pagamento de impostos ao «Rei» ou a altos funcionários. Esta convergência entre a documentação interna chinesa e a observação externa nipo-holandesa confirma que o aumento do comércio foi um fenómeno sancionado pelo Estado, e não apenas obra de contrabandistas.

O impacto estatístico desta política é nítido e verificável. O estudo apoia-se na contagem de Cheng Wei-chung, feita a partir dos registos da feitoria holandesa, para mostrar que as chegadas de navios chineses a Nagasáqui saltaram de 34 em 1643 para 55 em 1644 e para um máximo de 82 em 1645. A subida de 1645 dos navios vindos do norte de Quanzhou, de 18 para 32, acompanha a cronologia do decreto Hongguang. O autor atribui este pico, em parte, à «Abertura dos Mares de Hongguang», defendendo que a legalização do comércio criou um incentivo súbito e enorme para que os mercadores navegassem para o Japão sem os subornos e o risco de prisão que o contrabando implicava.

O âmbito do estudo concentra-se estritamente nos mecanismos desta janela de 1644–1645 e no rescaldo imediato da queda do regime, em junho de 1645. Não procura abranger todo o período dos Ming do Sul nem as políticas específicas dos posteriores regimes Longwu e Yongli, embora registe que o regime Longwu deu continuidade à tendência. É uma ilustração útil de como uma dinastia moribunda tentou rentabilizar o próprio colapso. Para quem leu os nossos artigos sobre a presença holandesa no Japão, este estudo mostra o lado chinês das contas.

Este artigo oferece um olhar raro e minucioso sobre os «navios de Nanquim», que formaram uma rede de comércio triangular entre a China, o Japão e o Sudeste Asiático. Esclarece também por que razão o governo Qing, ao interrogar mercadores como Miao Zhenshi, aceitou que as suas viagens tinham começado sob os Ming, e não como viagens ilícitas sob os Qing, e lhes devolveu as mercadorias.

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