The Chosŏn Court’s Perception of the Edo Bakufu: Tokugawa Ieyasu and the Genji

Lim, Hyun-Chae (2026). “The Chosŏn Court’s Perception of the Edo Bakufu: Tokugawa Ieyasu and the Genji”, The Korea-Japan Historical Review 91, pp. 75–113.

DOI: doi.org/10.18496/kjhr.2026.2.91.75 (abre num novo separador)

A nossa apreciação Este artigo defende que a corte de Joseon legitimou o xogunato de Edo ao apresentar Tokugawa Ieyasu como legítimo herdeiro dos Genji, distinguindo o seu governo estável do poder transitório de Hideyoshi.

Este artigo pergunta como a corte de Joseon via o xogunato de Edo, centrando-se em particular na forma como compreendia Tokugawa Ieyasu e a natureza do seu regime. Procura ir além dos estudos existentes, que examinaram sobretudo as mudanças internas do Japão, a administração regional ou a visão japonesa de Joseon, para se centrar antes na forma como os funcionários de Joseon viam as figuras-chave da potência adversária. O estudo defende que Joseon passou a entender Ieyasu e o xogunato de Edo como um Estado quase dinástico, em continuidade com os períodos Kamakura e Muromachi. Para compreender esta nova realidade política, a corte concentrou-se no clã do xogum, os Genji (Minamoto), usando-o para estabelecer a legitimidade por contraste com o governante anterior, Hideyoshi.

Lim traça uma evolução clara na perceção de Joseon, que passa de uma desconfiança inicial a uma aceitação racionalizada da linhagem Tokugawa. Em 1599, o rei Seonjo observou que, embora Hideyoshi tivesse morrido, existia na região de Kantō outro chefe de bandidos chamado Ieyasu, pelo que era impossível prever se os bandidos voltariam a mover-se. Funcionários como No In apresentaram memoriais que afirmavam a possibilidade de uma nova invasão. No entanto, deu-se uma mudança quando os funcionários começaram a distinguir Ieyasu de Hideyoshi. Yu Yeong-gyeong argumentou que, embora Hideyoshi fosse um inimigo eterno, Ieyasu não tinha transportado tropas da região de Kantō durante a Guerra Imjin, o que sugeria que pertencia a uma fação diferente. Mais tarde, o Bibyeonsa (Conselho de Defesa das Fronteiras) afirmou que Ieyasu agia em direta oposição a Hideyoshi, observando que não proibia o regresso dos cativos.

Os funcionários de Joseon construíram uma narrativa específica para validar o governo de Ieyasu através da análise da sua linhagem. O Seungmunwon interpretou o uso do nome de clã Minamoto por Ieyasu, visível na sua assinatura como Minamoto no Ieyasu, como prova de um contraste deliberado com Taira no Hideyoshi. Os estudiosos documentaram sistematicamente os apelidos japoneses, notando que Hideyoshi pedira um dos quatro grandes clãs, mas que tal lhe fora recusado, acabando por se intitular Taira ou Toyotomi. Em contrapartida, faziam remontar a linhagem de Ieyasu a Minamoto no Yoritomo. Heo Mok, por exemplo, apresentou Ieyasu como descendente de Yoshimasa na 11.ª geração, ligando-o à linhagem legítima dos Minamoto. Este trabalho genealógico permitiu a Joseon ver o poder duradouro da família Genji como sinal de estabilidade. O rei Injo observou que, enquanto os regimes japoneses anteriores tinham caído ao fim de uma ou duas gerações, o poder já se transmitira agora ao longo de três gerações, o que distinguia o regime atual do poder transitório de Hideyoshi.

O artigo sublinha como esta distinção baseada na linhagem servia um propósito diplomático. Funcionários como Im Ui-bak relataram que a família Genji tinha subjugado Hideyoshi, acusando-o de regicídio e da morte indiscriminada de gente de Joseon. Raciocinavam que os descendentes dos Genji não violariam os ensinamentos ancestrais, pelo que a sua longa permanência no poder beneficiava Joseon. Isto permitiu a Joseon relegar a Guerra Imjin para o estatuto de perturbação anómala, desencadeada por um líder temporariamente desequilibrado. Desse modo, imaginaram um «Japão normal», distinto de Hideyoshi, mediado por Ieyasu e pelo xogunato de Edo. O estudo observa que, embora o clã Taira tenha continuado como família nobre aristocrática, a linhagem Toyotomi foi a única completamente exterminada, pelo que a imagem que Joseon fazia de um Minamoto Ieyasu que destruíra os Taira não correspondia à situação no Japão.

A ligação ao contexto Nanban mais amplo permanece indireta nesta análise específica. Embora o texto se refira ao Imjin Waeran, não detalha explicitamente ligações portuguesas ou missionárias na perceção que a corte tinha de Ieyasu. O foco mantém-se estritamente na forma como os intelectuais de Joseon usaram a linhagem Genji para classificar o xogunato de Edo como uma dinastia estável e hereditária, e não como um regime militar transitório.

Este artigo de revista abrange o período Joseon tardio, desde o rescaldo da Guerra Imjin até ao final do século XVIII, centrando-se na perceção que a corte tinha de Ieyasu e da linhagem Genji. Deixa explicitamente de lado as redes de informação internas do Japão e as realidades factuais do xogunato de Edo, concentrando-se antes no sistema de perceção de Joseon. Os leitores interessados em saber como os funcionários de Joseon racionalizaram a paz com o Japão, reapresentando Ieyasu como legítimo herdeiro dinástico, encontrarão aqui o maior proveito. Trata-se de um artigo de revista de 39 páginas, escrito em coreano e publicado em The Korea-Japan Historical Review em 2026. Como o acesso é pago, a leitura exige uma assinatura da revista ou o pagamento de 7370 wons coreanos.

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