The Tenshō Embassy: A Letter to Bianca Cappello, Benacci’s Illustrated Pamphlet, and Gifts of European Dogs

Fujikawa, Mayu (2026). “The Tenshō Embassy: A Letter to Bianca Cappello, Benacci’s Illustrated Pamphlet, and Gifts of European Dogs”, Sundai Shigaku (Sundai Historical Review) 187, pp. 145–156.

A nossa apreciação Este artigo japonês de 12 páginas defende que é plausível que os jesuítas tenham usado a Embaixada Tenshō para obter cães europeus como símbolos de estatuto, e reconstitui ao mesmo tempo as origens prováveis de uma carta a Bianca Cappello e de uma rara ilustração num panfleto.

Este artigo reexamina os materiais relativos às interações da Embaixada Tenshō com as mulheres dos Medici, a um exemplar recém-localizado de um panfleto e à oferta de cães europeus. Centra-se em documentos concretos guardados no Arquivo de Estado de Florença e na Biblioteca da Universidade de Bolonha para revelar as estratégias diplomáticas dos jesuítas e o intercâmbio cultural da missão. O trabalho pergunta de que modo a visita da embaixada despertou o interesse de mulheres influentes e como a Companhia de Jesus procurou estreitar laços através de ofertas e de correspondência.

A autora defende que a Companhia de Jesus utilizou a embaixada para cultivar o interesse pelo Japão entre as elites europeias e, talvez, para obter ofertas de prestígio, como cães de caça, enquanto símbolos de estatuto para os governantes japoneses. É plausível que os missionários jesuítas tenham incentivado a embaixada a levar consigo, no regresso, elegantes cães de caça de grande porte, apreciados pela nobreza europeia, para os usar como ofertas que fizessem avançar a sua ação missionária. O artigo sublinha que, embora a embaixada tenha conseguido obter estes animais, não há registo que confirme que pelo menos seis cães europeus obtidos na Europa tenham chegado a salvo ao Japão.

A análise assenta em fontes primárias do Arquivo de Estado de Florença, entre as quais um relatório de Raffaello de’ Medici e uma carta de Mâncio Itō. Raffaello de’ Medici relatou que a embaixada foi levada à missa em Santa Monaca expressamente para agradar a Camilla Martelli, que desejava vê-los. Durante uma visita ao gabinete de Bianca Cappello, Mâncio Itō escolheu o retrato dela entre a sua coleção de joias e obras em ouro. A carta a Bianca Cappello, datada de 11 de março de 1585, está escrita em papel washi vermelho ornado com folha de ouro, uma escolha destinada a atrair as elites europeias, numa cor que na Europa simbolizava as virtudes cristãs. A autora sugere que a parte espanhola desta carta, que contém elementos portugueses, foi provavelmente redigida pelo jesuíta português Diogo de Mesquita e transcrita pelo jesuíta japonês Jorge de Loyola, que escreveu também o texto japonês.

Uma descoberta significativa é a de um segundo exemplar sobrevivente do panfleto de Benacci, intitulado Avisi venuti novamente da Roma delli XXIII di marzo MDLXXXV, na Biblioteca da Universidade de Bolonha. A investigação anterior confirmara a existência de um único exemplar, guardado na Biblioteca Nacional de Veneza. A ilustração deste panfleto representa os enviados vestidos de kamishimo e com as têmporas rapadas; supõe-se que isto reflita os vestígios do tradicional penteado de carrapito e da prática de rapar a cabeça que os enviados tinham seguido antes de ingressarem no seminário.

O artigo descreve em pormenor as ofertas de cães em Ferrara e em Vila Viçosa. Em Ferrara, durante a estada da embaixada de 22 a 25 de junho de 1585, o duque Alfonso II d’Este ofereceu à embaixada quatro cães da Bretanha, depois de os seus membros terem manifestado admiração por eles e vontade de os ter. Mais tarde, em 1586, o duque Teodósio II de Bragança comprou dois cães — um galgo e um perdigueiro — a um cavalariço por 20 000 réis, para os oferecer à embaixada em Vila Viçosa. O trabalho observa que os cães europeus eram considerados animais raros no Japão e eram frequentemente representados nos biombos Nanban, que mostram mercadores portugueses a passeá-los pela trela.

Este artigo é particularmente útil para leitores curiosos quanto às ofertas concretas e às interações pessoais da Embaixada Tenshō em Itália. Abrange a passagem da embaixada por Florença em março de 1585, o panfleto de Benacci e as ofertas de cães em Ferrara e em Portugal, mas deixa em aberto os tipos concretos dos cães da Bretanha e a questão de saber se os animais chegaram ao Japão. Trata-se de um artigo de revista com 12 páginas, publicado na Sundai Shigaku 187 (2026) e escrito em japonês. O trabalho está disponível gratuitamente no repositório da Universidade Meiji.

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